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Split, a primeira visão da costa Adriática  

Posted by carlos in

Pois bem, depois desses dois últimos posts descrevendo a transição da primeira para a segunda metade da viagem, retornemos ao que interessa: fotos!

O navio cruzando o Adriático de Ancona (Itália) a Split (Croácia) era jóia, meio no estilo do que fez a viagem Estocolmo-Helsinque. Porém, lá eu dividi uma cabine com outros 3 caras, no último pavimento do navio (abaixo de onde os carros vão e literalmente dentro d´água!); aqui, creio que por já ser baixa temporada, havia uma promoção e os poucos passageiros tinham uma cabine privada cada. Estava tudo começando bem...
Já havia estado na Croácia há pouco, na capital Zagreb (veja post), antes de chegar a Veneza. Voltava agora pelo Sul e pela costa.

Split, na região conhecida como Dalmatia desde tempos Romanos, é a segunda maior cidade Croata, com cerca de 250 mil habitantes. Eu passei a maior parte dos dias no centro histórico, às margens do Adriático. O clima estava muito bom, felizmente se manteve assim pela maior parte da estada pelos Balcans, bem diferente do clima que havia pego até então. Cidade super bucólica, pacata, e simpaticíssima. Fiquei neste alberque aqui.

A cidade se desenvolveu ao redor do Palácio Diocleciano, erigido pelo imperador romano Valerius Diocletianus no ano 295 DC para servir como seu local de aposentadoria. Lá ele morreu em 313 DC, e um mausoléu (que mais tarde se tornou a catedral de Saint Domnius) lhe foi erigido. O palácio continuou sendo usado pelos imperadores seguintes (antes do domínio Romano, entretanto, um povoado grego já existia na área desde o século VI AC, chamado Aspalathos). A partir do século XI, a cidade começou a se expandir para bem além dos muros do palácio (que hoje abriga o centro histórico). Um componente de peso em sua história (de fato, por toda costa Adriática) foi o apogeu do poder de Veneza: Split ficou sob seu jugo de 1420 até 1797, quando foi então incorporada pelos Austro-Húngaros até o fim da primeira guerra, quando em 1918 se anexou a Iugoslávia.

O album abaixo retrata a chegada a Split e a primeira visão da costa Adriática, com as típicas montanhas rochosas cobertas de pinheiros que se tornariam comum mais adiante. Já em terra, a magnífica visão panorâmica a partir da colina Marjan, o belo beira-mar, as ruínas do Palácio Diocleciano (um sítio da Unesco) e do mausoléu tornado catedral, e o centro histórico. As águas do Adriático são as mais límpidas que já vi; infelizmente, devido à natureza geológica da área, praias de areia não são comuns, o mais normal sendo praias de pedregulho. Eu me meti a procurar uma areiazinha (essas praias, quando existem, são bem mais curtas que as de pedregulho) e, no album, dá prá vislumbrar o exuberante pôr-do-sol nessa costa, com minha cervejinha na mão (até me dei ao luxo de cortar o cabelo em Split!) e meu primeiro quase-banho no Adriático.



Depois de relaxar bem na pacata Split, hora de voltar ao mar e rumar às ilhas do sul!

E começa a segunda metade da viagem! Balcans, Oriente, ...  

Posted by carlos in

Após a inversão de itinerário na Itália (veja post anterior), estava para começar uma das etapas da viagem que mais ansiava: os Balcans e seu incrível caldeirão de culturas. Estopim da Primeira Guerra Mundial, que viu o esfacelamento do Império Otômano. Histórico palco feroz de vários encontros de civilizações: Gregos, Romanos, Eslavos do Sul, e local de uma região, no seio do continente Europeu, em que o Islamismo é ainda dominante (Bosnia) graças a expansão Otomana de outrora.
Estava mesmo excitado em ver de perto como são as repúblicas da ex-Iugoslávia: de conhecer Sarajevo, que o Ocidente permitiu ficar por 4 anos sob brutal cerco dos Sérvios, já que eles faziam o trabalho sujo que a Europa tanto sonhava de ser ´limpa` de traços e laços Islâmicos mais fortes; de também conhecer a belíssima natureza inóspita de sua costa Adriática, recém-descoberta pela industria mundial do turismo, com suas ilhas, e montanhas que invadem o continente; e claro, de tentar absorver um pouco das diferenças que perfazem essas nações que até há pouco constituam uma única República.
E, seguindo viagem, ainda havia Europa Oriental, Russia, Turquia, ... ! Resumindo, passada a Europa Ocidental, o ´estranhamento` que buscava em minha viagem estava apenas começando!

Outra decisão tomada: como a paranóia de tempo no espaço Schengen ainda não se aplica nessa área, eu optei em ir num ritmo mais lento, permitindo-me ficar mais tempo pelas paragens, ainda mais incertas. Com isso, também queria poder ter a chance de partilhar etapas do itinerário com outros mochileiros pelo caminho (coisa que pouco fiz até então). Isso também seria muito útil em dados países com infra-estrutura de transporte mais precária (como Albânia), em que inclusive o inglês não é muito praticado e mesmo o alfabeto é diferente (Cirílico, como na Sérvia, Macedônia, Bulgária).

Bom, com a devida introdução a esta segunda metade da viagem feita, de volta a estrada (digo, ao mar)!