Depois da desagradável espera na estação de Varsóvia, finalmente cheguei à capital Lituana, onde fiquei neste albergue. Nada poderia ser mais típico do que estar pelos Bálticos no inverno, toda a paisagem branca e rios congelados por onde quer que se olhasse. Esses três pequenos países têm aquele ar bucólico, um belíssimo centro histórico medieval de um lado, moderno centro atual de outro. Apenas se colocar a caminhar por suas cidades já é garantia de bons fluidos, sem contar uma certa atmosfera ´exótica` por serem ainda tão pouco conhecidos desde que reemergiram vinte anos atrás após a queda do Comunismo.
Vilnius, na confluência dos rios Vilnia e Neris, é a maior cidade Lituana com cerca de 600 mil moradores, 20% do total do país. O primeiro registro da cidade data de 1323, quando o Grão-Duque Lituano enviou cartas à Alemanha, ao Papa, e à comunidades Judias abrindo a cidade a colonos imigrantes, já àquela época mencionada como capital. O século XVI viu o pico da cidade durante a Liga Polônia-Lituânia, habitada por colonos que passaram a vir de toda parte, trazendo uma complexa mistura de culturas. As guerras travadas no século XVII, além da peste e de incêndios, massacraram a cidade, que só veio a reflorescer no século XIX. Após a partilha da Liga, Vilnius caiu em mandato Russo, que destruiu os muros da cidade (concluídos em 1522), dos quais apenas o Portao Aurora restou.
No século XX a cidade passou de mãos inúmeras vezes. Pouco antes da independência Lituana em 1918, Vilnius foi invadida pelos Alemães em 1915 na primeira guerra. Logo após 1918, a Polônia a anexou reclamando direitos dos tempos da Liga; em 1920 um acordou cedeu Vilnius a Lituânia, mas no mesmo ano a Polônia a invadiu e a retomou, mantendo controle até a segunda guerra quando foi invadida pela Alemanha. Foi então cedida aos Soviéticos em 1939 no acordo de partilha da Polônia, invadida pela Alemanha em 1941 (que aniquilou 95% dos Judeus da cidade) e reconquistada pelos Soviéticos em 1944, tornando-se a capital dessa nova República Soviética. Novamente capital de uma independente Lituânia em 1991, a demografia de Vilnius reflete tudo o que a cidade passou pelo século XX; hoje são 58% Lituanos, 19% Poloneses, 14% Russos.
O centro antigo de Vilnius tem ares Barroco, Gótico e Neoclássico, desde a praça central até o palácio real, o centro do Grão-Ducado que data do século XV e que foi demolido em 1801 pelos Russos (parte está em reconstrução). Seus principais pontos são o town hall, a catedral e sua torre, o castelo inferior e as ruínas do castelo superior (numa colina que dominava a paisagem), o museu nacional, a biblioteca nacional, a torre de Gediminas e a bela panorâmica da colina das Três Cruzes. Continuando, a Catedral, reconstruída inúmeras vezes, era o local de coroação e ainda hospeda as tumbas de Reis e Heróis Lituanos; o Portão Aurora e as ruínas do muro, a Universidade de Vilnius (1579), mais velha e maior do pais, fechada quando o país estava em controle invasor e que tanto carrega da história nacional; o atual palácio presidencial (século XIV), a catedral ortodoxa Theotokos (1346), erigida antes da cristianização do país; a igreja gótica de Santa Ana (1500).
Outros pontos interessantes para além do centro histórico são o moderno distrito de Snipiskes, cruzando-se o rio Neris, enquanto cruzando-se o rio Vilnia temos o distrito Uzupis, surgido das cinzas do antigo bairro Judeu e hoje um centro boêmio e artístico.
AVISO: Vilnius é a terceira cidade cujas fotos se perderam no assalto que sofri em Jerusalém (detalhes no post daquela cidade, posterior); perdi um mês de fotos sem backup. Para não ficar só na descrição, seguem abaixo alguns links da net, fotos de terceiros.
http://www.tripfoto.com/vilnius/Vilnius/index.html
http://www.galenfrysinger.com/vilnius_lithuania.htm
http://www.tripadvisor.co.uk/LocationPhotos-g274951-Vilnius.html
http://photos.igougo.com/pictures-l638-Vilnius_photos.html
Entre os Bálticos viaja-se de ônibus, trem é menos comum. Pois assim saí de Vilnius à próxima capital, Riga. Sempre com tudo branco e congelante do lado de fora!
Lá vinha outra longa viagem. Cruzar a Polônia inteira até chegar na Lituânia. Peguei o trem em Cracóvia e iria até Varsóvia, onde teria que pegar um ônibus até Vilnius. Era o primeiro dia de 2010, e não podia ter sido pior. O trem atrasou cinco minutos, perdi a conexão em Varsóvia (10 pm) e acabei passando a madrugada inteira à espera do próximo ônibus (6 am) na manhã seguinte. Foram oito horas bem desagradáveis naquela rodoviária fria.
A Lituânia é o mais ao sul dos três países Bálticos, sendo também o maior e mais populoso. De seus 3.3 milhões de habitantes, cerca de 600 mil vivem na capital, Vilnius; são 84% Lituanos, 6% Poloneses, 5% Russos, com cerca de 80% católicos e 4% ortodoxos. Dos Lituanos, cerca de 60% também são fluentes em Russo. O Lituano, ao lado do Letão, são as únicas linguagens Bálticas sobreviventes. Boa parte da história desse país é compartilhada com a da Polônia (veja o post inicial daquele país), desde a formação da Liga Polônia-Lituânia.
Entre Polônia e Lituânia fica o exclave Russo de Kaliningrado, último resquício Russo no leste Europeu; são cerca de 1 milhão de pessoas neste antigo território da Prússia, e da Alemanha até o fim da segunda guerra, sendo que as parcelas Polonesa e Lituana de sua população foram quase totalmente erradicadas.
A primeira menção escrita à Lituânia data de 1009 de um manuscrito Alemão; eu estive pelos Bálticos em janeiro de 2010, ano posterior às comemorações de mil anos de tal documento. As dispersas tribos Bálticas da região foram unidas em 1230 por Mindaugas, da dinastia dos Gediminas, coroado Rei Lituano em 1253. Até então os Lituanos, ao lado dos Letões e Estonianos, eram os últimos povos Pagãos da Europa. Mindaugas foi assassinado em 1263 pelos cruzados Alemães da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos.
As disputas com essa Ordem continuariam por mais 150 anos; no transcurso, a Lituânia continuou se expandindo e conquistando terras Eslavas das atuais Bielo-Rússia e Ucrânia, além de partes da Rússia. Em 1386 o Grão-Duque Lituano Jagueillon aceitou o convite Polonês para se tornar rei conjunto desses dois países; em contrapartida, ele cristianizou a Lituânia (Jogaila era seu nome pagão anterior), e Vytautas o sucedeu como Grão-Duque Lituano. O reinado de Jagueillon durou até sua morte em 1434 e alicerçou o que viria a se tornar a Liga Polônia-Lituânia mais tarde. Sua principal vitória foi na Batalha de Gunwald (1410), quando os Prussianos da Ordem Teutônica foram aniquilados.
A Liga foi criada em 1569, tendo certo predomínio Polonês. Depois de atingir sua época de ouro, a Liga foi invadida por Suécia e Rússia em fins do século XVII o que, junto com uma onda de fome e doenças, vitimaram cerca de 40% dos Lituanos. A Liga chegou ao fim em 1795, após sucessivas partições de seu território entre Prússia, Rússia e Áustria. A maior parte das terras Lituanas ficou sob controle Russo, que durante o século XIX promoveu a Russificação do país banindo instituições de imprensa e de ensino Lituanos; tal controle durou até o fim da primeira guerra mundial, período em que cerca de 20% da população emigrou do país.
A independência veio em 1918 com a derrota Alemã na guerra e com a Revolução Russa, mas foi seguida por muita instabilidade; disputas territoriais permaneceram com Polônia e Alemanha. Já na segunda guerra mundial, a Lituânia caiu em mãos Soviéticas em 1940, que tomava a sua parte do pacto que dividiu a Polônia após os Nazistas a ocuparem. Mas no ano seguinte, os Nazistas ocuparam a Lituânia; em seu domínio, cerca de 90% dos Judeus foram exterminados. Com a retirada dos Alemães no fim da segunda guerra, os Soviéticos retomaram o controle do que veio a se tornar uma nova República Soviética, e o mantiveram até o fim do Comunismo em 1989; de 1944 a 1952 cerca de 30 mil guerrilheiros nacionalistas foram deportados à Sibéria. Em 1990, a Lituânia foi a primeira das ex-Repúblicas Soviéticas a proclamar independência; os Russos a invadiram em 1991, mas já era tarde, e suas últimas tropas deixaram o país em 1993. Após a abertura econômica, o novo país juntou-se à União Européia em 2004 concretizando seus laços com o Ocidente.
Minha passagem pelos três países Bálticos seria rápida, infelizmente só visitaria suas capitais. E por lá tentaria novamente o visto Russo. Vamos a Vilnius então no próximo post.
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