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Palestina, ocupação e Apartheid do fascista Estado Israelense, parte II  

Posted by carlos in ,

(...continuação)

Mas a ironia é mesmo Dantesca. Fui até o lado Palestino justamente por me sensibilizar muito com o Apartheid que eles sofrem; inicialmente fui caminhar cerceando o Muro da Separação, que simplesmente corta povoados ao meio fazendo antigos vizinhos terem que se locomover quilômetros até um checking point para poderem se rever, quando Israel permite. A idéia em seguida era conhecer algumas cidades, Ramallah, Belém, Jericó, Nablus ou Hebron, e conhecer algumas das colônias que os Judeus constroem em terras tomadas de Palestinos, muitos deles sendo novos imigrantes vindos principalmente dos EUA; ver mais de perto a humilhação diária que essa etnia sem nação é obrigada a suportar debaixo de fuzis fascistas, sendo inclusive podada do mais simples direito de ir e vir.

A ironia veio pouco antes de cruzar o checking point; saindo da Casa da Paz caminhei ao Monte Scopus, próximo ao Monte das Oliveiras, que fornece uma triste visão panorâmica de boa extensão do Muro da Separação. É impressionante; corta rodovias, sobe por montanhas, perde-se no horizonte. Uma jaula de centenas de quilômetros. Eis que surge um Árabe, senta-se ao meu lado, começa a falar em sinais (o cara parecia meio drogado) e aos poucos se aproxima. Apesar de eu já ter sido estúpido o bastante em Istambul quando caí numa armadilha para turistas (está em algum dos posts Turcos), eu me prometi que não iria entrar na paranóia de se evitar pessoas que se aproximassem; se estou viajando também é para conhecer nativos.

Pois o cara pega minha câmera, enfia a mão no meu bolso e pega meu mp3, e sai correndo morro àbaixo. Desesperadamente desço correndo atrás do cara; eu só queria o cartão de memória da câmera pois não fazia backup das fotos há um mês, desde a Polônia, tendo passado depois por locais que provavelmente jamais voltarei a ver. Eu caí morro abaixo, arrebentei os óculos, o nariz... . Eu não podia acreditar; acho que nunca me senti tão deprimido daquela forma. Resultado: perdi o tempo que tinha para conhecer cidades do lado de lá do Muro me recuperando, fazendo BO, arrumando outros óculos, procurando uma câmera barata pois ainda tinha Petra e Egito pela frente.

Para piorar Ibrahim, que ficou também muito chateado por saber que o cara 'era um dos seus', estava passando pela fase mais complicada desde que ele abriu sua Casa da Paz pois as doações não iam dar para pagar as contas do mês e sua pouca grana já se acabara. Claro que contribuí com bem mais do que esperava, e tentei fazer ele aceitar que deveria passar a cobrar uma diária simbólica (um preço de albergue). Quando estive lá vi como a bondade do cara é explorada por alguns mochileiros mal-intencionados: um grupo de 7 jovens e saudáveis americanos ficou 8 dias hospedado (foram embora no dia que cheguei), comendo de tudo; na despedida deles, Ibrahim preparou um baita jantar e no dia seguinte os filhos da puta tiveram a coragem de dar 100 dólares no total (50 centavos por pessoa por dia); depois chegou um grupo de Coreanos, todos com seus notebooks, que estavam indo pelo mesmo caminho. Sei que a Casa ainda está na ativa, mas torço para que Ibrahim para de se deixar explorar daquela forma.



No album acima algumas fotos que Ibrahim tirou, da Casa, de parte da família, do local do roubo, de um rango ao Portão Damasco; recordações de minha fronte esfolada. E esses acabaram sendo meus dias em Jerusalém Oriental, sem West Bank, com novos amigos, um mês de fotos perdidas, e sem conhecer in-loco o lado de lá do Muro graças a um Árabe.

Era hora de voltar a Amã, na Jordânia, pegar um ônibus e descer para Petra, seguir viagem, onde veria que a nuvem negra me seguiria até o Egito. E ainda teria a experiência de ser seguido pelos fascistas ao cruzar novamente a fronteira de Israel ao ir de Petra ao Egito. Mas vamos por partes.

Palestina, ocupação e Apartheid do fascista Estado Israelense, parte I  

Posted by carlos in ,

Em Tel Aviv fiquei sabendo da Casa da Paz desse fantástico ser humano, Ibrahim, que ficava no Monte das Oliveiras em Jerusalém Oriental; ele mantém a Casa com base em doações dos hóspedes e prepara enormes refeições para os mesmos. Pois lá fui eu, e prontamente me indicaram sua Casa quando cheguei naquele Monte, que aliás fica próxima a um dos checking points Israelenses e do fascista Muro da Separação que esse estado Terrorista construiu. Ibrahim faz parte de um grupo, está aqui o site, que tenta promover o reconciliamento de Judeus e Palestinos.

Vale lembrar que Israel unilateralmente unificou em 1980 as partes oriental e ocidental de Jerusalém e considera a cidade unificada sua capital, enquanto os Palestinos querem a parte oriental como a capital de um futuro Estado; sem falar no status do quilômetro quadrado da antiga cidade murada, embora a comunidade internacional reconheça Tel Aviv como capital de Israel. O dinheiro do país, a fortuna que Israel recebia anualmente dos EUA e as volumosas doações de Judeus e simpatizantes mundo afora à causa Sionista foram muito bem empregados, sem dúvida construindo uma bela nação ao seu povo. Pena que se esqueceram de investir também do 'outro lado do mundo', cuja infraestrutura é imensamente mais precária; afinal, se Israel ocupa e considera toda Jerusalém como sua capital eu suporia que o dinheiro devesse ser investido por toda parte, sem propositalmente negligenciar bairros de maioria Árabe.

Além dessa degradação material, há também a moral. É impossível não ficar chocado com o policiamento ostensivo pelas ruas da cidade antiga, sem falar dos checking points desse ultra-militarizado Estado. Detalhe: o serviço militar é obrigatório para mulheres também; a cada momento você tromba com lindas garotas e rapazes carregando suas metralhadoras e fuzis automáticos, todos muito simpáticos com turistas. Certo dia me deparei com a situação que um Palestino deva ter que engolir diariamente: três jovens soldados e seus fuzis começaram a implicar com um cara em uma ruela mais afastada no setor Islâmico da cidade murada. Eu diminuí o passo. Os soldados puxaram o Árabe para outra ruela numa esquina, eu virei a esquina como quem nem sabe o que se passa. Esperei um pouco e retornei. O cara já estava pressionado na parede, com os soldados chutando suas pernas para que ele as abrisse a alguma revista enquanto falavam algo em tom jocoso entre si; pouco acima, umas crianças Árabes vendo toda a cena, aprendendo bem a lição (ou talvez aumentando o ódio a explodir quando crescerem).

E eu fui embora, não tive peito de ficar ali. Até penso que não devam ter feito nada de mais grave ao Árabe, mas essa humilhação moral cotidiana é o pior, essa forma covarde de manter uma etnia subjugada, frustada e sem poder reagir. Afinal, quando reagem aprendemos na grande mídia que não passam de terroristas e a desculpa perfeita para justificar ainda mais opressão. Pior que ser o 'povo escolhido' é sê-lo com fuzis nas mãos de garotas e garotos. E os adultos os treinando em alguns de seus locais sagrados, se foi o que eu vi direito certo dia. Israel é um estado doente. Mas é necessário dizer que também há muitos Israelenses, dentro e fora do país, que se sentem envergonhados com seu governo fascista e com o fundamentalismo-fanatismo Sionista, como provavelmente se sentiriam muitas das vítimas do Holocausto.

O conflito religioso é apenas fachada. Tudo não passa de uma elementar estratégia de conquista até que nem mais se justifique a criação de um Estado Palestino: ocupação, colonização, aumento demográfico, opressão, e assimilação; quem quiser ficar que fique e obedeça a quem domina, quem não quiser que vá embora e se torne outro refugiado. Sempre que preciso há o segundo exército mais poderoso do planeta para resolver qualquer problema. Palestinos são quase cidadãos de segunda categoria em Israel, e quase inevitavelmente recebem um salário menor do que o de um Judeu na mesma profissão.

Vale lembrar que a cidadania Israelense foi autorizada apenas aos Árabes que não fugiram nem foram expulsos em 1967, os quais não possuem qualquer direito de retornar à própria terra; os que ficaram, a minoria, podem requerer a cidadania desde que sirvam ao Exército, jurem lealdade a Israel e se recusem a qualquer outra nacionalidade. Nem precisa dizer qual a intenção por trás disso, e é obvio que a maioria dos Palestinos que até podem não requerem a cidadania do invasor; estes possuem uma carteira de identidade que os possibilita receber a graça divina de cruzar os checking points. E pensar que há pouco mais de 60 anos esse mesmo povo Judeu sofreu a pior calamidade da história; hoje a pratica.

(continua...)

Jerusalém, capital de dois mundos  

Posted by carlos in ,

Depois da parte histórica do post anterior, e deixando a parte ácida para os posts da Palestina, vamos enfim conhecer Jerusalém!

Vindo de Amã os ônibus só vão até a fronteira pois os trâmites para se entrar em Israel são sempre demorados e variam de pessoa a pessoa. No meu caso, por ter estampa Síria e Libanesa no passaporte, pior ainda; fiquei lá um tempão, o lugar enchia e esvaziava, e nada; depois de umas quatro horas de espera e algumas perguntas, me liberaram. Não se paga para entrar no país, mas paga-se bem caro para sair. Passados os trâmites pega-se outro ônibus até Jerusalém, onde fiquei neste hostel em que não ficaria de novo, à saída do Portão Damasco próximo da rodoviária Islâmica. O trajeto já é por si só bem jóia, passando ao largo do mar Morto e das pitorescas formações montanhosas daquela área semi-desértica.

Jerusalém está encravada na divisa entre West Bank na Cisjordânia ocupada e Israel. A cidade seria a maior de Israel se se incluísse seu lado oriental, o que daria cerca de 800 mil habitantes em cerca de 125 km^2, 2/3 Judeus e 1/3 Árabes. O centro antigo, a cidade murada de 1 km^2, está no coração das três religiões monoteístas que o ser humano infelizmente inventou: para os Cristãos a igreja do Santo Sepulcro foi erigida no local das supostas crucificação e tumba do suposto Jesus; para os Muçulmanos, o Domo da Rocha no Monte do Templo guarda em seu centro o local por onde Maomé subiu aos céus; para os Judeus, o Muro das Lamentações é o que restou de seu segundo Templo destruído pelos Romanos e sobre o qual foram construídos o Domo da Rocha e a mesquita al-Aqsa (nesse Templo ficariam a Arca com os dez mandamentos de Moisés e o local onde Abraão preparou seu filho Isac para o sacrifício-prova de obediência a deus).

A cidade antiga, que até 1860 era tudo o que existia na área, consiste de quatro setores: Islâmico, Judeu, Armênio e Cristão. O Islâmico é o maior e mais populoso, com seus típicos bazares por ruelas estreitas, lar de 22 mil pessoas. O Cristão, também lar de alguns Gregos Ortodoxos, Franciscanos, Beneditinos e Luteranos, além de diversos monastérios e igrejas como a Luterana Cristo Redentor contém o Muristão, um local de muitas lojas e alguns restaurantes. O Armênio é o menor de todos, onde vivem cerca de 2 mil pessoas e fica o monastério de São Jaime. E o Judeu, que teve muitos sítios como a sinagoga Hurva destruídos durante o domínio Jordaniano (1948-1967), e hoje com vastos recursos está todo reconstruído (Hurva estava sendo reinaugurada quando eu estive por lá), e que possui cerca de 3 mil moradores e vários sítios arqueológicos inclusive subterrâneos. Vale lembrar que ainda em 1967, logo após a guerra dos seis dias, Israel destruiu e expulsou os moradores do que era o quinto e menor setor, o Marroquino, que existiu por oito séculos desde os tempos de Saladin, para dar lugar ao que hoje é a praça aberta em frente ao Muro das Lamentações.

Além desses principais locais já mencionados, há uma infinidade de outros a se visitar na cidade murada, aonde se entra por algum dos sete Portões ainda em funcionamento. Por exemplo: a torre e citadela de Davi, perto do Portão Jaffa, construídos no século II AC sobre ruínas que remontavam ao tempo de Davi; a Via Dolorosa, o caminho de Jesus até a Crucificação, que começa pelo Portão do Leão e passa pelas nove estações da cruz, com as outras cinco estações ficando dentro da igreja do Santo Sepulcro (igrejas e outros monumentos foram erigidos demarcando cada estação); e deixar-se perder por entre as ruelas dos setores, e pelos bazares do lado Islâmico, parando cada dia para comer e beber em um setor! Achei curioso que cada prédio histórico seja tutelado por uma dada instituição religiosa.

Fora da cidade antiga, mas ainda no complexo histórico que avança pelo lado oriental, são obrigatórios: o Monte Zion, com a abadia Hagia Maria Zion, o local onde supostamente foi realizada a última ceia e o local da suposta tumba do rei Davi; o Jardim da Tumba, local que para muitos é o verdadeiro suposto local da crucificação do suposto Jesus, bem próximo à sua suposta tumba na pedra; a Cidade de Davi, o local mais antigo de todos, hoje um enorme sítio arqueológico que remonta aos tempos de Davi e onde supostamente seu palácio ficaria; diversas tumbas cavadas na rocha no vale entre o Monte do Templo e o Monte das Oliveiras. E acima de tudo, subir pelo Monte das Oliveiras. Pela sua base ficam: o Gethsemane, o jardim onde supostamente Jesus passou sua última noite e ocorreu a traição do pobre Judas, bem próximo à suposta tumba de Maria; as recentes igrejas católica Todas As Nações e ortodoxa Russa Maria Madalena, além de outras igrejas. Subindo-o há toda uma necrópole já quase ao topo e uma visão panorâmica simplesmente divina. Pelo topo fica a Capela da Ascensão, construída sobre o suposto local em que Jesus subiu aos céus e que curiosamente hoje fica no complexo de uma mesquita.

Já na cidade moderna, do rico e estruturado lado ocidental, há de se passar pelas imediações da rua Jaffa, que aliás conduz à rodoviária Israelense, pela praça Safra e o governo municipal, pela Ópera, o Teatro, enquanto o Museu já fica mais longe. Em outra parte ficam o Parlamento e a Suprema Corte, assim como as residências do presidente e do primeiro-ministro. Vários são os malls, é tudo mais limpo e organizado, e por vezes você nem se lembra que está em Jerusalém. As coisas são o oposto pelo lado oriental, mas deixemos isso para os posts da Palestina.

AVISO: Jerusalém é a décima segunda cidade cujas fotos se perderam no assalto que sofri em exatamente em Jerusalém Oriental (detalhes em um post posterior); perdi um mês de fotos sem backup. Para não ficar só na descrição, seguem abaixo alguns links da net, fotos de terceiros.

http://www.israelinphotos.com/jerusalem/index.html
http://www.israelinphotos.com/gallery1.htm
http://www.jerusalemshots.com/cats-en.html



Sempre perguntam "mas e não há uma sensação diferente por se estar em Jerusalém ?". Absolutamente não. Ao menos para mim, embora saiba da enormidade de gente que realmente vai até lá para se sentir 'mais próximo' de algo; eu sinceramente não entendo essa gente. Mas era hora de conhecer o paraíso, digo, uma cidade mais adentro de Israel, para depois fazer o mesmo na Palestina ocupada. Minha próxima parada era Tel Aviv; de lá retornaria para vivenciar o lado oriental de Jerusalém e me mandar para Ramallah; porém.... oi ai, essas ironias do destino. Mas primeiro Tel Aviv.

Israel, Palestina, Jerusalém, breve intro  

Posted by carlos in ,

Bom, antes de tudo, vou me arriscar a um resumo da história, até para se entender melhor a origem dos principais locais sagrados de Jerusalém e da inimizade mútua de boa parte dos Árabes e Judeus.

Jerusalém se tornou capital do reino unificado de Israel por volta de 1000 AC graças a conquista da cidade pelo rei Davi. Seu filho, Salomão, construiu o primeiro Templo no Monte do Templo em cerca de 970 AC. Em 586 AC os Babilônios de Nabucodonosor a conquistaram e destruíram o Templo. Logo veio a conquista Persa, Ciro e depois Dario, que permitiram a construção do segundo Templo no Monte do Templo, terminado em 516 AC. Em seguida veio a conquista do Greco-Macedônio Alexandre o Grande no século IV AC, e pelo século II AC os reinos sucessores de Alexandre, o Ptolomaico e o Selêucida, disputavam a cidade e ambos foram derrotados em 168 AC pelo reino Hasmoneano, dos Israelenses Macabeus, o que veio a barrar a ascensão do Helenismo em Israel e a reforçar o Judaísmo em Jerusalém.

Veio então a era Romana ao redor do ano 6, quando o rei Judeu Herodes foi instaladao em Jerusalém; ele aumentou o segundo Templo e os muros e torres de defesa da cidade. Diversas foram as revoltas internas contra os Romanos até que eles viessem a destruir o segundo Templo no ano 70. Em 135 Hadrian passou a acelerar a Romanização da cidade e a proibir os Judeus de a adentrarem. No século IV, quando o Cristianismo já tomara conta de Roma, o imperador Constantino I contruiu a igreja do Santo Sepulcro no suposto lugar da crucificação e da tumba do suposto Jesus, além de ter lançado a semente da divisão do império Romano ao mudar sua capital para Bizâncio em 395 (tornada Constantinopla após sua morte, hoje Istambul). O domínio do império Romano, e do Bizantino após a divisão de Roma, durou até o século VII, período em que os Judeus continuaram banidos da cidade.

Em seguida veio a conquista Árabe em 638 pelo primeiro Califado Árabe, os Rashidun, que permitiram que os Judeus retornassem à cidade e que os Cristãos mantivessem seus locais sagrados. Mas foi só em 692, já no segundo Califado, o dos Umayyad, que o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa (essa terminada em 705) foram ambos construídos no monte do Templo, sobre as ruínas do segundo Templo Judeu destruído pelos Romanos e do qual restou apenas o Muro das Lamentações. Em 1099 os Cruzados tomaram a cidade com a Primeira Cruzada, aniquilaram Judeus e Muçulmanos, e estabeleceram o Reino Latino de Jerusalém que se estendeu por parte do Oriente Médio. Foi só em 1187 que Saladin, da curta dinastia Sunita de origem Curda dos Ayyubid, reconquistou a cidade para os Árabes permitindo assim o retorno de Judeus e Muçulmanos. Em 1250 os Mamelucos conquistaram a cidade e a dominaram até 1517, quando o império Otomano enfim a anexou em meio à sua gigantesca expansão, após terem conquistado Constantinopla em 1453 pondo fim ao império Bizantino.

Os quatro séculos Otomanos terminaram em 1917 quando eles saíram derrotados da primeira guerra mundial. Nesse período os Turcos modernizaram a cidade antiga e reconstruíram sua imponente muralha (principalmente Suleiman o Magnífico), e Jerusalém começou a crescer em bairros para além da cidade murada. Com a partilha pós-guerra do Oriente Médio entre França e Inglaterra, o sul (Palestina, Transjordânia) entrou no mandato Inglês que se estenderia até 1947; durante esse mandato a população de Jerusalém triplicou de cerca de 50 para 150 mil moradores, novos bairros Judeus surgiram e a Universidade Hebraica foi fundada no Monte Scopus.

O plano inicial de partilha da ONU que alocara uma área para cada futuro estado, de Israel e da Palestina, era manter um regime internacional na cidade por uma década, depois do qual um plebiscito decidiria o futuro da Palestina Inglesa e de Jerusalém. Porém, em 1948 explodiu a guerra que teria como resultado o nascimento do estado de Israel proclamado por Ben Gurion com a capital em Jerusalém Ocidental, selando o sucesso do movimento Sionista mundial que se organizara 50 anos antes. Israel tomou sua parte do tratado da ONU; por outro lado a também recém-independente Jordânia do rei Abdullah I anexou o restante da Palestina, West Bank e Jerusalém Oriental, incluindo a antiga cidade murada que voltou a ser proibida para os Judeus.

Para os Palestinos a catástrofe foi total; além de não conseguirem seu Estado, começava o êxodo Palestino em que cerca de 700 mil pessoas se tornaram refugiadas, número que só veio a aumentar depois da guerra de 1967 quando Israel conquistou o que a Jordânia tinha anexado em 1948, cerca de 300 mil novos refugiados. Ao mesmo tempo Israel implementou e mantém massiva imigração para trazer novos moradores à Jerusalém e à outras regiões em West Bank, às custas de terras Palestinas e de Árabes expulsos, para assim aumentar a densidade demográfica Judia e assegurar mais território, enquanto os Palestinos refugiados são proibidos de retornar às suas terras.

Acho melhor parar por aqui. Em algum post eu havia escrito que viria a Israel sem pré-concepções. Mas é impossível ver os dois lados da moeda in-loco sem sair com tais pré-concepções redobradas; talvez se fosse cego, quem sabe. Deixarei a parte mais ácida para os posts da Palestina; no próximo, um pouco de turismo enfim.